Mamães de SP: A Bela Gravidez

Foi em 2013 que o meu marido me deu o melhor presente de aniversario, só que na altura não sabia o quanto ia amar. Com tantos homens e mulheres que não conseguem engravidar ou que não são compatíveis nesta area, tivemos uma sorte do caramba.

Não estávamos tentando engravidar, e só foi uma vez que nos não protegemos. O meu marido é o “culpado” pois eu não estava a espera… if you know what I mean. Era o meu aniversario de 34 anos, tinha bebido vários caipirinhas e partilhado uma garrafa de vinho com ele. Normalmente tanto álcool me faz dormir bem, mas esta noite so consegui pensar “e se tou gravida…?” Nos dias seguintes fui pesquisar na net sobre quando a mulher engravida, mas como não tinha a certeza da data do meu último período não consegui entender bem se era o dia de ovulação ou não. Duas semanas depois comprei um teste de gravidez que deu positivo. Comprei mais um, positivo… Vixi, e agora!?

Fiquei feliz, empolgada, mas ao mesmo tempo com medo. Não era bem medo, achei que estava na hora de nos termos um filho depois de 6 anos juntos e eu já com 34 anos, mas a gente morava num apartamento alugado de 39m2, eu não tinha trabalho e tínhamos acabado de chegar ao Brasil. Será que vai dar? Depois lembrei, aqui no Brasil só tem direito a quatro meses de licença de maternidade, se eu tinha um emprego, o que faria com o nosso filho depois dos 4 meses? Vou entregar para alguém tomar conta? Nem pensar. Se vou ter um filho é para eu e o pai criar. Falamos sobre o assunto e concordamos que, na verdade, agora é a altura perfeita de ter um filho. Começamos a procurar um apartamento maior e mudamos de Pinheiros para Moema, uma zona bem sossegada cheio de famílias, perto do Parque Ibirapuera, e ainda com umas amigas minhas por perto. Adoro!

Então, a gravidez correu tudo bem mesmo sendo uma experiência nova, num pais diferente, sem a minha família por perto e com regras e costumes bem diferentes das da Suécia. Marquei uma consulta com um obstetra que tinha consultório perto da casa onde vivemos na altura. Achei ele simpatico, mas como pediu R$4000 para fazer o parto, mesmo sendo incluído no convénio, optei por procurar outro. Descobri que a situação no Brasil é bem mais complicado do que pensava… o que manda aqui é mesmo o dinheiro e não a ética. Encontrei outro obstetra perto de Moema, marquei uma consulta e ele avisou que cobraria R$2000 para fazer o parto. Perguntei sobre os medicos de plantão e ele foi muito sincero e disse que são medicos bons e claro posso fazer o parto com eles. Descobri que na Suecia se faz o parto com o medico do plantão, portanto não vai conhecer a pessoa primeiro. Se na Suécia é assim, eu aguento o mesmo aqui. Na verdade, eu não achei problema nenhum não saber quem ia fazer o meu parto.

Então optei por ficar com o segundo obstetra, mais pela conveniência de ter o consultório perto da minha nova casa. A mulher na recepção, que parece ser a esposa dele, era arrogante, mas o obstetra era simpatico. Nada mais nada menos, nada de especial. Mas ele fez o que eu precisava. Ele me mandou fazer todos os exames possíveis, pois pesquisei na net e nada me faltava. Fiz mais testes e controles do que eles fazem na Suécia. Em geral, um bom convénio aqui é melhor que a saúde publico na Suécia. A diferença é que na Suécia há bons leis e o dinheiro não é o que manda em primeiro lugar. O importante lá é que o que se faz é o melhor para o paciente. Portanto, não há escolha entre parto normal e cesariana, pois parto normal é o melhor para a mãe e o bebê. Cesariana só se for preciso mesmo, que é raro. Aqui, os medicos inventam desculpas para que a mãe vai aceitar uma cesariana, caso ela prefere um parto normal. Mais rápido e mais dinheiro penso eu.

Cada vez que falei algo do assunto “parto normal” com o meu medico ele respondeu com um aviso “…é, se parto normal realmente é o melhor para você…”. Mais ou menos assim. Comecei a ler sobre partos normais na internet e descobri como é difícil conseguir aqui se não for no hospital publico. Parece que em São Paulo só há uns sete obstetras que fazem parto natural, mas não estão dentro dos convénios, e cobram bem caro. Ca vamos nos de novo, o que manda é o dinheiro… A pensar que todas as mulheres aqui me chamam de corajosa por querer parto normal, talvez não ha um bom “mercado” para isso. Mas espero que esta mentalidade vai mudar.

A minha sorte era que a cabecinha do nosso bebê estava bem encaixadinha, não tive nenhum problema de saúde durante a gravidez e aguentei bem as contrações. No dia do parto cheguei com 5 cm de dilatação e não chateei as enfermeiras por nada. So com 8 cm os dois medicos entraram para preparar o parto. Acho sinceramente que se eu tivesse chamado eles mais, e se não tivesse aguentado a dor, iam tentar conseguir uma cesariana. Mas correu tudo ótimo e tenho que dizer que foram todos muito muito atenciosos e simpáticos comigo. Obrigada pessoal da Maternidade Santa Joana!!

Então a parte mais importante correu como eu queria, até me deixaram tomar um banho que me ajudava relaxar com 7cm e contrações bem fortes.

Como já disse, a gravidez correu super bem. Tinha enjoo no primeiro trimestre e muito sono. Tinha dores de cabeça e dor na coluna. Depois foi duas ou tres vezes que passei mal e com vontade de vomitar no terceiro trimestre. Fora disso estava me sentindo normal, fora da bolinha na barriga claro. Quatro dias antes do parto fui numa festa de despedida até as duas ou três da manha. Quem imaginava que a gravidez pode ser tão fácil!? Bem, sinto me muito agradecida por isso, sei que muitas mulheres passam por um mal tempo.

Fui abençoada!

Beijinhos,

CJ

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About CJ - Loving São Paulo

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2 Responses to Mamães de SP: A Bela Gravidez

  1. Odile Dardenne says:

    A minha gravidez foi igualmente simples, as condiçoes parecidas, sem familia por perto, so que 25 anos atras, sem internet nem cellular, no Nordeste que era diferente de agora, eu nao tinha nenhum plano de saude (inconsciencia nossa que gravidez nao ia chegar tao cedo…), mais tinha na minha cabeça que meu pai médico tinha feita o 4° parto da minha mae em casa (eu era este bébé) e que nascer era simples, resultado parto lindo, normal, sem cesariana, 24 h no hospital, menina saudavel. Na epoca em Recife, nao tinha ultrason para ver o bebe na barriga, somente os rituais examens de sangue e urina. Pois tinhamos negociado tudo : parto, pediatra, anestesista caso for precisar, preço da hora de aluguel da sala de parto, etc…. Até hoje, fico orgulhosa de ter tido os meus 2 bébés num pais sem familia por perto, mais com o homem que me acompanha até hoje, na epoca que nem frauda descartavel tinha (ou num preço inatingivel), amamentar eles 18 meses cada foi o presente que o Brasil me deu, aprender a cheirar eles, a ter um contacto corporal mais forte…. Benvinda a sua bébé!!!!!! beijos

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